terça-feira, 26 de março de 2013

Construtora põe prédios abaixo e entrega de residências é adiada

Daniel Braga

Caixa informa que responsabilidade sobre obra é da construtora. Desabrigados das chuvas só terão as chaves de imóvel no Fonseca após Prefeitura receber os pareceres

A Prefeitura de Niterói aguarda a apresentação de três laudos técnicos para determinar a data de entrega dos apartamentos do conjunto habitacional Zilda Arns I e Zilda Arns II, no Fonseca, aos desabrigados das chuvas de 2010 da cidade. ?Um documento será produzido pela Caixa Econômica Federal, outro pela construtora e um terceiro pela seguradora. Esses pareceres deverão nos certificar da total segurança das estruturas para, assim, entregarmos os imóveis à população?, enfatizou Marcos Linhares, secretário municipal de Habitação e Regularização Fundiária.

Previsto, inicialmente, para ter suas primeiras unidades habitacionais entregues a partir do dia 6 de abril, o novo prazo agora deverá observar o período de 30 dias para conclusão dos laudos, conforme sustentado pela Superintendência da Caixa de Niterói no último fim de semana, quando os dois prédios do empreendimento com rachaduras que comprometiam suas estruturas começaram a ser demolidos.

Sobre o Zilda Arns I e II, a Caixa Econômica Federal já informou que a responsabilidade técnica e financeira da obra é da construtora ou da seguradora. As intervenções deverão ser retomadas apenas depois da apresentação do laudo dos técnicos do banco, o que definirá também o novo cronograma do projeto.

Nesta segunda-feira, funcionários da Imperial Serviços Ltda estiveram no canteiro de obras, pela manhã, acompanhando a demolição de um dos blocos do Zilda Arns II, feita por uma retroescavadeira. Através da seguradora, a empresa arcará com a reconstrução dos imóveis se comprovado como motivo dos danos o excesso de chuvas dos últimos dias.

De acordo com a empreiteira, um segundo bloco deverá ser derrubado até sexta-feira, mas mesmo com o processo de reconstrução as obras ainda estariam dentro do prazo, tendo previsão de serem concluídas em julho.

Para o engenheiro especialista em inspeções prediais, David Gurevitz, cada imóvel do empreendimento, agora, deve ser vistoriado. Isso para que se tenha certeza da não ocorrência de problemas em outros espaços?, defendeu.

Vários problemas podem ter ocasionado as rachaduras, entre esses, o terreno não me parece ter sido compactado corretamente e ele parece permitir passagem de água. É preciso reavaliar o projeto e solicitar um estudo de solo, sublinhou o perito.

O Zilda Arns abrigará 89 famílias alojadas no 3º Batalhão de Infantaria (BI) e outras 17 do prédio inacabado de Riodades. As demais 314 habitações serão destinadas aos cadastrados na Secretaria Municipal de Habitação e Regularização Fundiária.

Os primeiros beneficiados do empreendimento na cidade deverão ser moradores de áreas de risco na abrangência do Fonseca, Tenente Jardim, Baldeador, Barreto e Engenhoca.

Ao todo, o conjunto habitacional totaliza um investimento de R$ 22 milhões para a construção de 454 apartamentos, divididos em 11 prédios. Cada prédio a ser demolido possui um custo de R$ 2 milhões.

Mesmo em estado de espera pelos laudos técnicos, o secretário municipal Marcos Linhares assegurou que, nos próximos dias, será lançado o primeiro plano municipal de habitação popular da cidade, prevendo a construção de 5 mil residências no município até o fim de 2016, a partir de um investimento de, aproximadamente, R$ 375 milhões, obtidos junto ao governo federal.

O FLUMINENSE