segunda-feira, 1 de julho de 2013

Chineses investem mais em imóveis nos Estados Unidos

Bank of China é a principal fonte estrangeira de financiamento no mercado imobiliário americano

Comemorada nos EUA, busca por propriedades reflete diversificação de investimentos pelo governo de Pequim

A primeira leva foi formada pelos japoneses. Endinheirados, eles invadiram os EUA para comprar pontos famosos como o Rockefeller Center, em Nova York.

Agora, quase 25 anos depois, é a vez de os chineses investirem no mercado imobiliário dos EUA --e com mais força que seus rivais.

Sem se deixar abalar pelos erros imobiliários do Japão nos anos 1980 --alguns investidores pagaram exorbitâncias por propriedades americanas--, os chineses estão espalhando seus investimentos pelos Estados Unidos.

Inicialmente eram apenas investimentos isolados, mas agora há uma corrida por negócios de bilhões de dólares e propriedades que são vistas como troféus.

Só que, ao contrário dos temores --injustificados-- nos anos 1980 de que os japoneses "comprariam a América", o investimento chinês está sendo bem-vindo e até comemorado nos EUA.

A maior preocupação que existe, neste momento, é que, com a economia chinesa dando sinais de fraqueza, eles possam repetir o exemplo japonês e bater em retirada.

No entanto, pelo menos até este momento, as dificuldades na terra natal não frearam seu apetite pelo mercado americano, como mostram os recentes negócios anunciados em Nova York.

Um desses marcos foi a compra de parte do edifício General Motors, em Manhattan, pela empresária Zhang Xin e pela família Safra, de origem brasileira, no início deste mês.

Em 2011, o braço imobiliário do HNA Group (empresa aérea chinesa) pagou US$ 265 milhões por um prédio de escritório em Nova York.

E os investidores adquiriram grandes hotéis na Califórnia, como o Sheraton Universal, próximo ao famoso estúdio de cinema, e o Crowne Plaza, em Burlingame, perto do aeroporto de San Francisco.

Mas o apetite chinês não para nos grandes prédios. Eles só perdem para os canadenses entre os maiores compradores estrangeiros de casas nos EUA.

"Eles estão apenas começando", afirma Steve Collins, diretor internacional da Jones Lang LaSalle Capital, empresa do setor imobiliário. "A criação de riqueza que está acontecendo lá é incrível."

APOIO ESTATAL

E, ao menos por enquanto, o governo chinês está encorajando esses investimentos e até ajudando a financiá-los. O resultado é que o estatal Bank of China é hoje a principal fonte estrangeira de financiamento no mercado imobiliário americano, superando os bancos europeus.

Essa busca por propriedades nos EUA é também reflexo do governo de Pequim de diversificar seus investimentos. Os chineses são os principais credores dos EUA, com mais de US$ 1 trilhão em títulos do governo americano, mas esses papéis, entre os mais seguros do mundo, geram um retorno baixo.

"Tem crescido muito nos últimos dois anos o apoio político para outras aplicações que não os títulos do Tesouro dos EUA e isso vem encorajando os investidores chineses a olhar para o setor imobiliário em grandes mercados, como o de Nova York", afirma Thilo Hanemann, diretor de pesquisa do Rhodium Group, que analisa tendências econômicas globais.