segunda-feira, 6 de maio de 2013

Imóveis que foram palco de crimes encalham

Residências chegam a ficar fechadas por anos à espera de um comprador

Valor pode cair até 40% após o crime; comprador deve ser informado sobre fatos ocorridos no imóvel

O que os assassinatos de Isabella Nardoni, Marcos Matsunaga, coronel Ubiratan Guimarães e do casal von Richthofen têm em comum? Além da grande repercussão, foram crimes cometidos na própria casa das vítimas.

Em um primeiro momento, o imóvel fica com uso limitado, para que a perícia recolha evidências e seja feita a reconstituição, caso necessária. "Isso dura alguns dias, mas não há problema legal em relação ao imóvel", diz o advogado Ragner Vianna.

No entanto, após o término das investigações, esses imóveis acabam marcados, e muitos ficam fechados por anos à espera de uma decisão da família ou que os incidentes sejam esquecidos.

Passados seis anos da morte de Isabella Nardoni, o apartamento de onde ela teria sido jogada tem a situação indefinida. A família tinha dois imóveis no Edifício London, na Vila Isolina Mazzei (zona norte): um de Alexandre Nardoni, o pai da menina, e outro de sua irmã --ambos comprados pelo pai deles, Antônio Nardoni.

Após a morte da menina, o apartamento 63, destinado à filha, foi vendido. O número 61, onde Alexandre morava, encalhou (há rumores de que ele teria sido vendido em março, mas nem a família nem a imobiliária confirmam).

Na opinião de Fábio Rossi, diretor do Secovi- SP (Sindicato da Habitação), o fato de ter sido cenário de crime não influencia no preço do imóvel. Já para Luiz Paulo Pompeia, diretor da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio), esses imóveis perdem valor.

"As pessoas não querem ter relação com uma história ruim. Depois de um tempo, as famílias se veem obrigadas a abaixar o valor em até 40% do valor real do imóvel."

Segundo Vianna, a legislação não especifica que o vendedor deva informar crimes cometidos no local. "Mas a regra geral é o dever de informação. Todo fato relevante deve ser comunicado."

"Também é bom conversar com o zelador ou o porteiro. Eles conhecem o histórico do imóvel", diz Rossi.

O engenheiro Thomas Bussius, 56, conta que, em 1982, comprou uma casa no Pacaembu pela metade do preço. O proprietário fora assassinado no local, durante um assalto.

"A casa estava em ótimo estado. Passei em frente e soube que a viúva queria vendê-la a todo custo, mas ninguém queria comprar. Ainda hoje brincamos dizendo que ela é mal-assombrada".